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fevereiro 7, 2012

“Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso – em suma, é a nós mesmos – que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa.”

Fernando Pessoa.


De qualquer maneira.

fevereiro 6, 2012

Quando não há apoio capaz de te suportar ou quando tu é introspectivo o bastante para não deixar que nenhum desses nós que te mantêm desatem, é quando tu escreve. Pelo menos é essa razão da minha escrita.  Fuga, esconderijo, nominem como preferirem. Pra mim, todas essas palavras que atiro em lugares sempre errados, não passam da única forma de me manter viva. Ou pelo menos preservar o pouco de sanidade que ainda me resta.

Eu bem sei que não são essas palavras que me sustentam. Não existem pilares mais fortes do que o que ainda há de vir. A vontade de olhar depois do horizonte é desmedidamente maior do que a de bloquear esse caminho e retroceder. Quero chegar até o final, somente.
Talvez porque são, justamente, os finais que me faltam. Histórias inacabadas, dores incompletas e isso é só o que  tenho somado no meu registro. Os finais, ou melhor, os não-finais não condizem com a história sublime de outrora. A confusão do fim, faz com que, até eu me esqueça do quão fantástico foram aqueles momentos.
Nada dura pra sempre, isso eu e todo o resto da Terra bem sabemos. O fato é: mesmo que não dure, há sempre um espaço em nós onde tudo o que já aconteceu seja guardado. Pois se fosse feito para ser esquecido, o passado não teria valor algum. E acredito eu, na minha ainda menor percepção, que para serem eternizados os acontecimentos devem ser bem-resolvidos.

Não quero que nada disso se vá. E também não quero que fique. To tentando me resolver comigo, e  depois com essa história pra arquivá-la no lugar devido. Arquivar..  é exatamente isso o que eu vinha buscando todo esse tempo.

Tenho um lugar melhor, e mais precioso pra te colocar: minhas memórias. Essas coisas ternas e eternas que são memórias.


Verdade que nunca será de verdade

janeiro 26, 2012

E é eloquente. Tão eloquente que foi silenciado por todos esses passos.  O que não vinha em minha mente outrora, e depois voltei a considerar: é tudo.  O que eu ceguei meus olhos para não encarar, por um longo instante. O que eu não me deixei acreditar.

Toda essa distância que a gente bem tentou emendar. Tudo o que a gente ousou “deixar pra lá”  é, justamente, o que vem à tona agora. O que deveria ser unido são dois opostos que são forçados a se atar apenas pela razão de ser. Hipocrisia que todos nós possuímos. Falsidade no coração guardada. Herança do que nunca se vai.

É tudo que temos, e é só o que sempre seremos. Não sei porque ainda jogamos se sabemos que no final, a sentença sempre será a mesma. Talvez insistimos em buscar a diferença que nos surpreenda.

Pode ser que tu ainda alimente a esperança de encontrar em mim o inexistente. E talvez seja isso o que me falta: vontade de te completar. É tudo o que eu nunca vou ser. E é somente o que tu espera.


Convicção.

fevereiro 11, 2011

Modificação.

Ainda não compreendi se isso atua de forma boa ou ruim em minha vida. Aliás, minha vida, não. Em sua vida. O que ainda não consigo entender é se todo aquele esforço de algum tempo atrás, e só agora parece ter atingido a meta, é positivo. Eu gritava, e gritava, para que você pudesse escutar a tempo, assim então, mudar. Minhas palavras foram desviadas, e vezenquando chegaram até o destinatário certo: você. Mas, como já era esperado e eu não queria levar como verdade, todas elas não surtiram efeito algum em tuas atitudes. E assim, você seguia sua vida. Caminhava todo dia, em todo lugar à procura do que te fizesse, mesmo, acreditar. O que te fazia crer não era eu, e nem nada que eu falava. Era o que eu não conhecia, o que eu odiava. Mas, largar algo que eu acreditava, nunca pareceu certo. E até houve um tempo, em que acreditei o certo não era o que acreditava. Ainda assim, não cedi.

Bradei palavras diretas. Vociferei verdades cruéis. Recorri ao fato de se considerar vulnerável e sempre a vítima para tentar chegar ao lugar fatal, aonde você mesma faria tua vida mudar. Nada parecia dar certo. Na verdade, nada deu certo. Ou, pelo menos, era isso que eu achava… Esperei o tempo cruzar por mim. Esperei até eu parar um pouco de tentar. Esperei, esperei, esperei. Foi quando percebi que nada havia mudado, e também nada iria mudar. Você vive sua vida, não eu. O que eu penso sobre ela, é só um pensamento estúpido. Tão estúpido quanto eu sou pra você. Então minha vida mudou.

Quando achei que tudo havia passado, e o mar já tinha se acalmado, uma onda inesperada e gelada implora para que eu volte para o mar. Tão gelada que me impedia de nadar, ou somente lutar contra as forças que me puxavam para dentro. Tão inesperada que eu cheguei a ficar feliz. Me deixei levar. E, você, somente você, me levava para onde quisesse. Quando eu decidi me entregar… Foi quando percebi que o lugar onde estava indo não era agradável, e tentei acordar. Aterrorizada e surpresa. Foi o último dia do qual me lembro. Você tirando conclusões precipitadas, e eu lutando pra acreditar que não era você a mesma que eu, um dia, quis presentear.

E eu o fiz.


Dê uma chance para a outra opinião. Mais uma vez.

dezembro 30, 2010

Às vezes não entendo o por quê dessa necessidade incessável de fazer tua opinião prevalecer. Somos todos feitos de idéias. São as idéias que nos fazem, não nós que as formamos. Nunca deixei minhas idéias serem vencidades por acreditar que tudo isso que a gente pensa, sente, e acredita, define, no final, o que realmente somos. E, incrivelmente, somos rodeados por essas verdades a todo instante.. Vivem nos dizendo isso e às vezes não estamos aptos para entender. E talvez, chego a pensar, que nem queríamos mesmo entender. Leva um tempo até concluirmos que nossas idéias podem não ser aceitas pelos outros, como as outras idéias não são aceitas por nós, mas isso não torna a tua opinião falsa e nem mesmo pode afetar tua crença. Acreditamos no que queremos, ou o que é mais cômodo pra nós no momento. E isso é exatamente o que tenho tentado mudar diariamente. Não quero acreditar em algo porque é mais fácil, mas sim porque é o que eu sinto, mesmo que seja momentâneo. Não quero acreditar em algo porque me fizeram acreditar. Quero acreditar porque eu quero passar uma imagem de quem eu sou realmente, e é a minha opinão que faz isso. Nossa crença e atitudes compatíveis com pensamentos, nos definem, aproximam e conseguem também nos distanciar. Por essa razão tenho tentado aprimorar minha capacidade de policiar tudo o que digo, e faço. Tenho conhecimento de que me enxergam do modo errado porque eu ajudo a formularem essa visão. Essa que vocês imaginam, não é quem habita dentro desse corpo que é só visão. Sou muito mais que isso. Talvez pior do que quem vocês conseguem enxergar, ou só alguém tentando ser um pouco melhor.

Mas, essa minha luta para preservar minhas crenças é frequentemente confundida com não aceitar opiniões alheias às minhas. Não acho minhas opiniões melhores que a de ninguém, e também nem posso acreditar nisso. Sou constantemente surpreendida por novas idéias que preenchem o espaço em branco que fora deixado por mim pela falta de algo realmente digno de crença. Não é que eu superestime minhas idéias. A verdade é que eu escuto rapidamente, mas demoro mais que o normal para digerir tudo o que me passaram, e aplicar isso nas minhas opiniões. Há um processo de escolha rígido, e se eu não achar tudo o que me passaram de valor, não quer dizer que eu vou simplesmente descartar da minha memória. Vou deixar tudo guardado em algum espaço, aguardando algo ou alguma ocasião que dê razão à tudo aquilo.

Me interpretam de forma tão errada quanto interpreto os outros. As diferenças não existem. Tem vezes em que nossa opinião fala mais alto que qualquer razão, o que domina nossa capacidade de sermos racionais e respeitarmos. São essas as vezes em que esquecemos quem somos, na verdade. Desviamos nossas rotas devido a radicalização que damos as nossas idéias. Tudo bem que o que acreditamos nos define, mas há um largo espaço entre acreditar e tentar obrigar os outros a pensarem o mesmo. Se acredita mesmo, sem mentira, a única pessoa que, obviamente, deve pensar o mesmo que você é somente você.

Preciso de novas idéias pra continuar escrevendo no livro da minha vida, e as idéias só são proporcionadas por pessoas. Cada idéia é uma pessoa. E de cada pessoa surge uma idéia. A cada opinião compreendida, ou a cada tentativa, surge em mim um pouco mais de esperança de que chegará um dia em que nós saberemos sobre todas as crenças sem nos deixarmos levar pela incapacidade de aceitar o que diz respeito ao outro . Chegará um dia em que por mais forte que seja a opinião, o respeito será a barreira para impedir que a compreensão seja quebrada.

Espero pelo dia em que todos nós deixemos que as letras de todos que nos rodeiam, e até os distantes, escrevam no nosso próprio livro: o livro da vida.


Mais profanos, menos confusos.

novembro 30, 2010

Te conservas forte até a tua força interna exceder o permitido e teu dique estourar. É aí que a tua verdade vem à tona: tu não tens ninguém. Esse caminhar confiante, esse olhar feliz, e esse falar de quem sabe muita coisa, não te salvaram do inevitável. Vários caminhos foram trilhados e em cada um deles caminha alguém que um dia chegou a dividir com muitos somente um. Tudo aconteceu distante do teu olhar, ou talvez perto demais para que conseeguisses ver. A condição de existência que permanece sobre nós hoje é unicamente a distância. Nada mais justo, senão esses anos-luz que nos separam. Foi isso o que fizemos todos esses anos: nada. Faltou esforço, vontade e talvez o acaso não contruibui para que o caso se resolvesse.

O que nos cerca hoje é a falta de conhecimento alheio seguido de tentativas falhas de saber sobre a vida que nos cerca. Não sei sobre você, tu tentas saber sobre mim. Me coloco distante disso tudo, apenas pela minha incompreensão sobre como chegamos à isso tudo. Eu fico sozinha às vezes porque não me contenho, não por querer. Eu tenho uma vontade incessante de saber mais, e não que isso me prejudique, mas às vezes me obriga a viver baseada no meu conhecimento que não é muito vasto. Não sou auto-suficiente e tenho plena consciência até onde eu consigo caminhar sozinha, o que é mínimo comparado ao que caminho acompanhada. A minha vida não é tão irrelevante assim quanto pensas. Se desses alguma chance para que pudesses aprender com o meu jeito e que eu aprendesse com o seu, talvez nossos passos correriam em um nível mais apaziguado e, quem sabe, mais próximos. Um muro. Uma vida. O que não foi vivido, e o que a gente nem quis viver. Eu vivo em meio a isso tudo, buscando uma reconciliação que nunca vai chegar porque não existe alguém para ocupar o lugar.

Porto Alegre ainda vive em mim, e não há como negar. Eu voltei para lá, e não consigo mais deixar de estar lá. Há angústia daquilo tudo, há angústia de ainda viver aqui. Mágoa de não poder escolher, e talvez mágoa maior ainda de ter que esperar. Quero voltar a caminhar, olhar até onde a visão deixar e esquecer de deixar.

Se quer saber tanto o que me fez ser assim, foi a vida. Nunca quis distância naquele tempo, tudo o que eu queria era ser compreendida e não encontrava ouvidos que eram capazes de me ouvir. Nunca fui coerente, e só queria aprender como me expressar melhor, pensava que era minha falta de nexo que fazia os outros não me ouvirem. Aprendi, e agora consigo, de uma forma melhor, fazer com que entendam o que se passa comigo internamente, e ainda assim continuam não me entendendo. Nada mais posso pensar além da teoria válida de que nunca, realmente, quiseram me ouvir, o que faz meus passos irem para uma direção mais distante ainda.

O que temos agora são somente pseudo lembranças do que nunca aconteceu de verdade num presente. Tenho o local dolorido pela tua ignorância de acreditar que gritar, ou outras vis tentativas iriam ter poder sobre meus ouvidos, e esses deixariam tuas palavras entrarem em minha consciência. Não, isso não aconteceu. E agora, caminho em direção à mais distância ainda. Ferindo e aprendendo que tu, consegues apenas escutar quando a tua explosão acontece. Quando eu, de forma amarga, exagero nas minhas verdades e atinjo o local onde o amor não foi cativado e vem à tona que nada temos pois nada queríamos e quando a vontade existia, nada fizemos.

Ressentimos um amor que nunca existiu. Choramos por algo que nunca esteve aqui. Sentimos falta ou apenas fingimos sentir muito.


Sobre essência e passos.

novembro 27, 2010

Eu sempre me tive assim. Não foi algo que eu enxerguei e me inspirei, não foi alguém e muito menos de repente que surgiu essa vontade. Sempre foi e ainda é como se dentro de mim houvesse algo maior que não se encaixasse nas pequenas dimensões do meu corpo. É um sentimento nobre, a maior coisa que eu já vi. Existe todo dia, toda hora e cresce mais ainda a cada vez que a música penetra meus ouvidos. O brilho emanado da minha alma quando é despertada essa sensação de grandeza é tudo isso que vocês conseguem ler e, às vezes, entender. Eu sou assim todo o tempo, mas não há o que me faça me passar assim todo o tempo. O papel em branco é o que me preenche e assim é como eu sou para ele. Reciprocidade. A inspiração sou eu mesma, sou eu quem habita aqui dentro, é tudo o que me toca e rodeia meus pensamentos.

Mas, ainda há algo que eu não consigo compreender: a razão de a música me fazer sentir tão ampla, grandiosa e vasta. É como algo nas minhas veias, que desperta minha vontade de ser melhor quando não dá. Eminente é a música, eu só faço uma segunda tradução para um outro idioma que há muito foi esquecido: o amor. Eu não desejo falar do quão piegas o amor é atualmente, nem que o “amar” contemporâneo é completo demodê. Sabe, o amor verdadeiro ainda existe a cada segundo mas não conseguimos enxergar isso por nos preocuparmos com coisas tão frívolas.Ligamos para as coisas materiais enquanto há tanta coisa acontecendo tão perto. Não é neurose de querer saber sobre ser muito feliz a todo instante, é só que tem tanto amor morrendo a um palmo do meu nariz e eu finjo estar tudo bem. Sigo sorrindo e participando dessa morte ao núcleo de tudo até que minha sorte mudou.

Me dizem que o dinheiro exerce ligação profunda, e, praticamente, afirmam que o dinheiro gasto comigo deveria ser retribuído como amor e eu tento falar que isso não é amor para mim, mas ninguém parece ouvir. Parece que eu tenho voz e, no entanto ninguém é capaz de ouvir. É como se eu tivesse sido escrita em algum idioma arcaico que ninguém tem vontade de saber mais. Eu não sei quando foi que se perdeu, mas só agora percebi que não posso me deixar ir para o mesmo caminho. O dinheiro não é o importante, e nunca foi uma prova de amor. É fácil conseguir e não nos toca tão profundamente quanto o sorriso. Há coisas mais importantes e se parássemos para pensar e valorizar tais a altura, a vida não aconteceria nos parâmetros extremamente futeis que acontece atualmente.

A essência está se esvaindo e os rótulos parecem querer comprar meus sentimentos. O amor não se pode exigir por condições de moradia, genética ou qualquer que seja a razão. A felicidade é o que nos faz crescer e é quando esquecemos que devemos que finalmente conseguimos sentir. Se parassem de exigir tanto o amor, e tentassem cativar isso talvez as coisas amadurecessem mais rapidamente. Se enxergassem quem habita embaixo desses olhares desconfiados e essas vontades de serem como eles querem, pode ser que as coisas fluíssem com alguma razão ao invés de simplesmente sobreviver.

Se todo mundo parasse um pouco de pensar somente em coisas materiais talvez tivessemos motivos para comemorar o que as pessoas tem de mais leal: O amor. Existem coisas que não se compram, o amor é uma delas. É uma conquista diferente, que te inflama a alma e te completa com aquele pedaço que você procurou por toda sua vida.O roteiro da vida é feito de fases e escolhas, normalmente temos que abrir mão das coisas que mais gostamos pelo simples fato de não termos coragem para enfrenta-las de frente. Acredito que as decepções que temos ao longo de nossas vidas nos tornam mais fortes para o futuro. Os erros nos levam a nossa própria evolução e é com ela que daremos largos passos em busca da felicidade.

Se todos deixassem espaço para que a “parte grande” deles despertasse, como eu tento, talvez todos fossemos valiosos e eternos.


Sobre a verdade.

novembro 22, 2010

Nenhuma verdade pode ser dita sem causar conseqüências maiores do que seu próprio significado.

 

 

Durante toda minha vida, me fizeram acreditar que para ser feliz, tem que ser sincero; “Honestidade é tudo”. Assim acreditei sempre e não é agora que me desiludi dessa verdade. Eu não quero dizer que me tornei falsa, sem algum propósito maior. É só que me encontro em um local onde tudo o que me cerca não é real. São todos feitos de mentiras, e como é de se esperar, esses cospem falsidade para todos os ouvidos que são capazes de ouvi-los. E se alguns não o fazem, eles impõem-se fazendo qualquer um ouvir. É assim que seguem proclamando justiça e o bem de todos para alguns, e sendo completamente o oposto com os outros. Hipocrisia completa. E quanto mais grito para que todo mundo ouça que não são sinceras essas palavras, mais essas mentiras que existem pairando pelo ar, abafam meus tolos gritos. Gritos prematuros e bastante ingênuos. Ainda assim, bastante sinceros.

 

Talvez seja eu a mais hipócrita da história proclamando que os que me cercam são completamente vazios de verdades. Mas, a verdade que me cerca é essa, se é que ainda existe uma verdade. “Todo mundo mente”, foi o que sempre lembrei a mim mesma, e desde que passei a fazê-lo nunca mais me surpreendi de forma além do que esperada diante de alguma pessoa que não consegue manter o único propósito esperado, a sinceridade. Acredite, mentiras não são o fim do mundo, e até existe a parcela de gente que mente pra ajudar. Para deixar claro, não acredito em mentiras com propósito de “ajudar”, mentiras nunca fizeram alguém feliz, e se por acaso o fizeram, foi uma farsa de felicidade, rápida e ilusória. No seu final, como sempre, dolorida.

 

Em comparação, a verdade não anda me trazendo muitos sorrisos e aquela sensação de dever cumprido. Eu que já pensava ter aprendido, e tinha dito a mim mesma que ninguém iria me dar ouvidos naquele lugar, nem em outro, não consegui segurar minhas teorias. As verdades, simples e cortantes, escaparam de minha boca como um pássaro que foi preso um dia e que quer experimentar novamente a sensação de liberdade. Minhas palavras foram tomando forma, e assim, como flechas que foram mais tarde desviadas, atingiram o alvo. E para a surpresa de qualquer um, era o alvo errado: eu acertei a mim mesma. Minhas palavras infâmes, com sorte todas verdadeiras, tentando derrubar aquele muro imenso de mentiras, retornaram ao seu lugar de origem. Foi como um tiro no escuro, em que só existe uma pessoa no quarto. Essa única pessoa é a que mais tenta ser sincera, e é tola sem saber. Infelizmente, dá um tiro carregado de verdades com a arma virada para sua face. Fez tudo isso pensando que a verdade salvaria alguém e poderia até fazê-la dormir melhor. Tola, ingênua! Devia saber antes que existem pessoas que não sabem enfrentar verdades, nem mesmo as suas próprias verdades. E o pior de tudo: quase todas são assim.

 

Eu caí. Eu sangrei, sangrei, sangrei. E quando mais me vi perdida, foi que encontrei resposta. Ou melhor, me deram a resposta por detrás de todos os olhares. Eu estava caminhando para a direção errada, regredindo meu aprendizado. Eu estava, praticamente me jogando em uma estrada em que os carros passam em velocidade máxima, todos esses carros completamente cegos. Era pedir pra morrer, e mesmo com o coração que insistia em bater, era uma morte profana. Vida sem cor, onde você não consegue participar diretamente de nada, só sobrevoa olhando atentamente tudo o que acontece. Eu não sabia disso antes, e jamais poderia saber. Encontrava-me carregada de sentimentos maiores que eu mesma, e totalmente desconhecidos. Até poderia descrever toda essa mistura de sentimentos como algo parecido com vingança, contendo ares de arrogância. Mas, na verdade eu só queria provar pra todos que eu era muito mais do que eles pensavam, e tudo o que eu não precisava era provar algo para alguém. Não faria diferença alguma. Eu era e continuo sendo para eles, o que a pequena compreensão deles consegue definir. Não sabem de mim, e tampouco poderiam saber. Eu não me expresso muito bem, às vezes nem mesmo faço questão

 

Naquele tempo, estava com o coração sangrando dores incomunicáveis, e sempre incompreensíveis. E foi dessa dor que nasceu a minha vontade louvável de acreditar que minha felicidade se encontrava justamente na minha incompreensão, e de todos os outros. O lado que eu nunca tinha tocado antes. Era essa a parte que me faltava, e só depois de ser tocada profundamente no lugar que mais me amendrotava, é que concluí que eu nunca sei como vai ser. Mas, o que eu sei é que aquilo vai sempre se encontrar lá, esperando que eu o encontre e possa finalmente expressar e ocupar os ouvidos de quem nunca me ouviu. Pode ser que demore, pode ser que eu não viva o suficiente pra completar minha meta. E até mesmo que os caminhos do futuro me carreguem pra bem longe daqui, num lugar distante onde minha vida jamais cruze com as vidas profanas que me cercam hoje. Eu não sei o que vai ser, nem como, nem onde. O que eu sei é que a compreensão total me aguarda, até eu encontrá-la e perceber que de compreensão me falta muito mais, que não existe compreensão total e que as dúvidas que hoje me cercam são a motivação que possuo para continuar.

 

A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.

 


Ensaio sobre surpresas.

novembro 20, 2010

A vida é uma constante mudança de teorias. Assim como o planeta terra, todas as nossas vidas seguem em estado de rotação, sempre girando para o lado que nos surpreende. Basicamente, o ato de ser surpreendido acontece quando insistimos em acreditar que sabemos o que acontecerá posteriormente e o diferente vem nos bater a porta. O futuro não é algo com que se pode brincar, ou se cobrar de forma insistente. O futuro simplesmente acontece baseado no que você faz atualmente. Então, a sua mente é capaz de qualquer coisa, e você é capaz de tudo o que a sua mente é capaz de conceber desde que comece a fazê-lo já. Siga e lembre-se de que nada acontece como o planejado, mas as coincidências ainda existem.

Eu me surpreendo muito, e mais estranho do que me surpreender com tanta frequencia seria não me surpreender jamais. Queremos ser maiores e nos surpreendemos quando isso não acontece. A surpresa chega quando não esperamos muito resultado e ele vem em maiores proporções. E também quando, por acaso, conhecemos alguém que, visto de longe, jamais seria alguém na nossa vida e ainda assim, foi. Tudo o que acontece diferente do rascunho da nossa imaginação, sempre se difere do previsto e é aí que as surpresas surgem. Não sabemos sobre o futuro, e talvez seja essa a parte legal do “posterior”. Esse mistério que cobre a incompreensão nos faz seguir tentando advinhar os possíveis acontecimentos futuros.

Foi pelo cansaço de procurar pela razão de viver uma vida que eu sempre quis viver ou talvez pelo cansaço de pensar sobre o que aconteceria amanhã que te encontrei ali sem saber também pra onde ir. Tudo que aconteceu se foi, e os acontecimentos ainda ecoam por onde ando, a cada passo que dou. O que me resta sou um eu que não se arrepende de nada e acredita que pode ser que daqui alguns anos, em algum dia qualquer, o acaso una o que não-sei-o-que separou, de novo. Sem previsões. Sem esperanças. Sem regressos.

Ainda assim, são coisas como essas que me dão vontade de prosseguir. Coisas como quando você, sem querer nada maior, apareceu. As dúvidas e todas essas incertezas que me cercam não me dizem como vai ser, porém permitem que minha mente crie várias possibilidades e seja surpreendida quando nenhuma delas aconteça. Tudo isso instiga minha vontade de chegar até o topo da montanha, ao cume da pirâmede. São as incertezas que trilharam e ainda trilham o meu caminho em direções opostas: o caminho que leva até onde quero chegar, e o caminho que leva até onde eu nunca esperei chegar. Coincidência ou não, tudo isso aconteceu e acontecerá sem explicação maior. Foi por não esperar te encontrar que te encontrei, foi por querer me pronunciar que comecei a escrever, foi para provar que eu poderia ser maior que comecei a quebrar barreiras e mostrar que elas nunca existiram.

Foi simplesmente por querer que existo e permaneço.


Desacerto.

setembro 27, 2010

Nossa cabeça elabora idéias baseadas no meio forte de algo. Se, por acaso, tal função lida com palavras, e tu gostas de escrever, então, prevê que gostará disso. Sem pensar que existem tipos diferentes de lidar com a escrita. É como a música, às vezes saem sons pesados, raivosos, assim como os sentimentos implorando para sair de ti. E tem vezes que saem sons leves, delicados e apaixonados tanto quanto as palavras combinadas. Mas, não importa como sejam, eles seguem sempre uma linha concreta, e essa linha revela exatamente como você é. É isso o que difere os bons poetas e compositores, dos meros aprendizes. Os bons, além de tudo, colocam o coração na música, pulsando a todo segundo. E essa batida contínua, faz nosso coração bater também. Não há regras para ser bom, basta sentir, e saber passar esses sentimentos com demasiada convicção . Adjetivos em excesso não vão passar o que tu sentes se sequer sabes o que sentes. Não adianta falar sobre o amor, se não sabe como é, e nunca sentiu. Ninguém sabe como o amor é, nem quando ele começa a existir, muito menos quando acabará. O máximo que conseguimos saber, são as sensações que ele consegue despertar. Sorrisos, coração disparado, e algumas outras sensações indescritíveis. É muito pouco o que sabemos, e se sabemos, não encontramos palavras que expressem isso a altura. Existe também aquele amor imaginado, em que tudo o que sente é pensado antes. E até os sentimentos que sentes, são inventados. É quando pensamos tanto que amamos, que no final, acabamos no amor. Falso e pequeno.

Tem amor que vira obsessão, tem amor que acaba. E tem amor que a gente esconde. Eu sei também que a gente nunca sabe o tamanho do amor, e algumas pessoas dizem que ele se revela através de atitudes. Nas situações difíceis, que exigem nosso máximo, o amor, temporariamente vira coragem. Eu não sei se é bem assim, porque também tem coisas que despertam nossa coragem apenas pela vontade de provar pra nós mesmos o quanto somos fortes quando precisamos ser. Incógnita maior que ti, é só o que, supostamente, existe entre nós.

E quando eu pensei que era aquilo que eu queria para seguir meu caminho, descobri que minha escrita é outra. Eu gosto de escrever para tirar de mim o que assusta, é terapia, e é um eterno paradoxo. Escrever algo que não quero mais lembrar, mas que vai ficar sempre guardado ali, e será lido por muitas vezes, conseqüentemente, me fazendo lembrar. E depois de vários rodeios, descobri que minha escrita é do tipo que inflama o coração, acende minha veias, faz o pulso intensificar até que as palavra saiam como sangue pelas pontas de meus dedos. É vontade de expressar, de esquecer, e de revelar. Eu escrevo por não querer mais lembrar. E também escrevo para, futuramente lembrar.

Não sei se é a tua presença, ou se é quando você desperta o bem em mim que eu passo a querer estar. Eu realmente não consigo entender se esse amor é uma espécie de ponte indestrutível, que sempre que eu ouso voltar, me faz ir de encontro a você, novamente. Mesmo que a situação esteja crítica, e que a ponte passe a impressão de que está prestes a desmoronar, nós sempre conseguimos fazê-la permanecer onde está, e até mesmo ser reforçada. Não sei porque toda vez que te vejo imploro por dentro para que fique, e suplico para que minha mente não se esqueça de gravar qualquer detalhe que seja. E que cada vez que eu sentir teu perfume no ar, torço para que seja extraordinário como todas as vezes, e sempre novidade. Assim como você.

E sempre que precisar, as estrelas que te riem estarão ali em cima.


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